A atual igreja de S. José de Ribamar foi construída entre 19 de março de 1955 e 16 de julho de 1960, data em que foi sagrada e dedicada a S. José por D. António Martins Júnior, Arcebispo de Braga.
Da igreja sonhada pelo padre Costa Gomes e projetada pelo arquiteto Rufino à igreja idealizada pelo padre José Gonçalves e redesenhada pelo arquiteto Moreira da Silva há diferenças sensíveis: a primeira era pré-conciliar, com altar junto ao Sacrário e altares laterais para celebração da Eucaristia de devoções particulares, a segunda com amplo espaço litúrgico, onde o altar-mor é o centro. Aqui encontramos o batistério, o ambão, a cadeira do presidente e a mesa do altar.
A igreja tem duas rosáceas: a maior está voltada para avenida Mouzinho de Albuquerque e uma mais pequena, presente na parede oposta à fachada da igreja, visível antes da reforma acima referida. Nestas duas fachadas predominam as cores azul e amarelo, de acordo com as opas da confraria de S. José de Ribamar. A igreja atual é pois uma igreja pós-conciliar que manteve a forma exterior mas que se renovou por dentro. A madeira do teto falso lembra o fundo de um barco voltado do avesso.
O pároco José Gonçalves, acérrimo seguidor do concílio, decidiu-se por uma reforma litúrgica. Primeiro a reformulação total do interior da igreja paroquial para a transformar pós-conciliar e posteriormente dando início à reforma da música na liturgia.
O padre Manuel Faria escreveu no Diário do Minho de 8 de abril de 1976, na sequência do Encontro de Coros Paroquiais na igreja de S. Tiago em Braga: “(…) Veio depois o Coro Litúrgico de S. José de Ribamar da Póvoa de Varzim. Vamos ser sinceros: tínhamos más informações deste coro sob o ponto de vista estético e de carácter litúrgico. É certo que tais informações tinham já sido desmentidas. Mas, ontem desvaneceram-se completamente. É mesmo um coro litúrgico, que não faz concessões ao mau gosto por aí em moda, e de qualidade estética à altura das tradições da Póvoa: vozes de bela sonoridade (permitimo-nos destacar as femininas, com realce para a solista, cuja formosura bocal ficou realçada pela simplicidade e compostura, isto sem desdouro dos restantes naipes, que estiveram sempre à altura da sua missão), e dedicação à Igreja e suas Festas. (…) Terminamos com uma palavra especial para o seu regente, Padre José Gonçalves cujos progressos na cultura musical constituíram agradável surpresa para muita gente, a começar por quem isto escreve.”
O cónego Manuel Faria era frequentador desta igreja de Ribamar, assim como outros sacerdotes, sobretudo no verão, e entre eles membros da direção da Nova Revista de Música Sacra, como por exemplo o padre Sebastião Faria. O padre José Fernandes da Silva era um dos colaboradores principais da Revista e condiscípulo do padre Joaquim Gonçalves, futuro bispo auxiliar de Braga e titular de Vila Real, irmão do pároco José Gonçalves e na altura vigário cooperador da paróquia de Ribamar.
A beleza da rosácea advém sobretudo da incidência da luz solar, particularmente ao nascer e pôr do sol. Na altura eram celebradas missas de madrugada e ao final da tarde. Foram estes feixes de luz que encantaram Luís Alberto de Melo dos Reis Gavina, autor da capa, então seminarista e natural da Póvoa de Varzim, a redesenhar a rosácea e transformá-la na capa da Nova Revista de Música Sacra na Quaresma de 1971.
Póvoa de Varzim, 23 de agosto de 2025
Humberto Pontes